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quinta-feira, 23 de junho de 2016

SOBRE GOMOS, por Ivan Vagner Marcon (Poema)

SOBRE GOMOS
(Autor: Ivan Vagner Marcon)


Não, eu não padeço dessas 
procuras
pois disso curei-me há tempos.
Nunca busquei
"minha metade da laranja"
pois sempre fui inteiro.
Quando entendi meus gomos
percebi que a única coisa que me faltava
era
(apenas)
quem me chupasse bem.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

Indigente, por Nilson Araujo (Poema)

Indigente
(Autor: Nilson Araujo)


No meu jarro não tem água

No meu cesto não tem pão

E se te estendo as mãos

Você logo me joga esmolas

De noite vejo estrelas

De dia elas passam por mim

Miragem de um oásis

Caminho em rumo até o fim

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Poema, de Ivan Vagner Marcon

neste

outono


(juro)


revirarei


nossos velhos guardados...


os que viverem


        verão.          





Autor: Ivan Vagner Marcon



terça-feira, 12 de abril de 2016

EPIFANIA VERDE, por Sergio Diniz Da Costa (Poema)

 EPIFANIA VERDE
Autor: Sergio Diniz Da Costa




O vento passou e roçou
as folhas da jovem árvore
E ela, num súbito êxtase,
umedeceu o chão
num sublime orgasmo verde.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Banana Verde
Autor: Nilson Araujo


Uma vida cheia de sonhos

Deixados num canto qualquer

Por coisas que não estão certas

Por coisas que não deram certo

Sonhos embrulhados em jornais

Guardados e amadurecendo sozinhos

Alguns já passados, perdidos

Outros bem verdinhos

Porém todos embrulhados


Poema, por Ivan Vagner Marcon

Imagem: https://frasesdavida.files.wordpress.com/2013/11/ampulheta.jpg


Tempo: 
nossa
frágil 
mortalidade
(um conta-gotas 
com
sabor de eternidade).

Autor: Ivan Vagner Marcon


Pausa, por Nilson Araujo

Pausa
Autor: Nilson Araujo


Quando o tempo te dá uma trégua

Na falsa realidade de que a tormenta parou

Não perca sua sombra de vista

Não fixe seu olhar nos pés de alguém parado

Olhe para o céu, mesmo que de relance

E sinta o vento empurrando as nuvens

O tempo não pára

Imagem: http://www.carolinaaugusta.com.br/wp-content/uploads/2013/04/CA-cronica.jpg

Poema, por Marcelo Rehder Borba

Nas grotas e rincões desse nosso interior
Na madrugada o galo canta
Neste momento o matuto se levanta.
Porém, o que a muitos encanta
Na minha manhã me causa horror.
Levanto cedo tal qual o lavrador
Pois o canto de outra ave se agiganta
É o arrulhar das pombas agressor.
Pobre de mim, sofredor!
Já fiz de tudo, não adianta
Peço conselho a alguma alma santa
Cuja mente nesse grupo se abrilhanta:
Como acabar com o barulho perturbador?


Autor: Marcelo Rehder Borba

Sonhei com você, por Nilson Araujo

Sonhei com você
Autor: Nilson Araujo


No tempo que passou
Eu nunca estive lá
Não pude entender
Mas te vi passar
Estendi a mão
Mas não te senti
Então caminhei buscando

No tempo que passou
Eu sempre estive aqui
Não pude te ver
Mas te quis comigo
Estendi a mão
Mas não te alcancei
Então acordei chorando


*******************************************************************


Janela da cozinha
Autor: Nilson Araujo

O som do vento anuncia
Vem chegando frente fria
O copo cheio d’água
Sozinho sobre a pia

"Porque a vida precisa de muito mais", por Sergio Diniz da Costa

"Porque a vida precisa de muito mais"*
Autor: Sergio Diniz da Costa


É isso mesmo, cara amiga, 
"Porque a vida precisa de muito mais". 
Muito mais do que o apenas comum, 
O apenas igual, a mesma cor,
O mesmo sabor (insípido). 
A vida precisa de mais ardor,
Ardência ou demência, 
Mas, sobretudo, clemência. 
E, para isso, precisa daquele que, 
Feito antena, empunha a pena, 
Que, ainda que pequena, 
De suas tintas colore páginas
do Livro da Vida.

Uma, duas... centenas.




* Este poema nasceu de uma postagem feita no Facebook por uma amiga e escritora (Adriana da Rocha Leite), a qual, no dia 25 de julho de 2015, considerado o Dia do Escritor, fez uma homenagem a todos os escritores, utilizando, logo no início, esta frase: “porque a vida precisa de muito mais”.


quarta-feira, 30 de março de 2016

CHUVA NA ROÇA, por Ivan Vagner Marcon (Poema)

CHUVA NA ROÇA
Autor: Ivan Vagner Marcon

Quando era dia de chuva na roça
eu corria assuntando pelas fresta:
os par de zóio perdido nas poça
a curiosidade estampada na testa.

Via as pranta alegre ca aguinha fresca
banhando as foia e raiz.
Belezura de se vê...Verdadera seresta
fazendo a  invernada muito mais feliz.



A água do poço vertendo e subindo
ajudando o barde a num esbarra nu fundo.
Água do céu pra matá a sede de nóis tudo
água bençoada... mió água do mundo.

E os banho da criação?
Cos galo e pato correndo dos raio
os franguinho ciscando o chão
e os passarinho escondidinho nos gaio.



Os gato esquentando ca quentura do fogão
o chero bão do café quente.
Os cachorro dormindo no chão
roncando e babando que nem gente.

Um ou outro trovão gorava os ovo no choco
e tinha uns par de curisco no campo...
Mais eu gritava: - Santa Barbra me venha em socorro
e me sarve de tanto relampo.



E quando da chuva chegava o finarzinho
co arco-da-véia colorindo o céu
o sor vindo bunito... di mansinho
co'a  bicharada fazendo iscarcéu...

E nos dia de hoje (de tanto medo e troça)
foi-se meu tempo de festança.
Sei que cada pancada que vi na roça
vai cê só sardade de minha lembrança.




PARTICIONADO, por José Eduardo Bertoncello (Poema)

PARTICIONADO
Autor: José Eduardo Bertoncello




Descubro-me CaLeIdOsCóPiCo
O Narciso no lago é Medusa
Reflexo envolvido na teia de aranha
De um espelho quebrado - As lascas são meus eus



Minha criança interior
Eu mantenho numa caixinha de joias
E esta, dentro de um cofre-forte
Longe, escondido. Diversas vezes perdi o mapa e a senha.

Minha melhor impressão
Está num medalhão, bem à vista
Sempre lustrada
Mas acho que é um amuleto supersticioso que não funciona...

Minha eficácia é uma arma enferrujando
E eu não costumava passar óleo nela
Ainda assim, eu a mantenho sempre no coldre
E, sempre com ela, até agora sobrevivi

Minha disposição para a luta,
Minha agressividade primal,
Levo para passear numa coleira
Nesses momentos, as pessoas desviam de mim

Meu lado mau eu tentei afogar num lago.
Ele voltou. Ele sempre volta.
Ele está bem atrás de mim, sinto sua respiração. Não é um anjo da guarda.
Um tipo de fera que é chamada por Luas Cheias ou coisas menores ainda.

A TESSITURA DE UM POEMA, por Sergio Diniz da Costa

A TESSITURA DE UM POEMA
Autor: Sergio Diniz da Costa



Recentemente, uma amiga me fez um pedido incomum: dizendo que queria ser poeta, pediu-me que a ajudasse nesse sentido.
O pedido causou-me dois sentimentos, antagônicos. O primeiro, de satisfação, porque ela fez o pedido a mim por se declarar admiradora de meus poemas. O segundo, porém, de preocupação, pois, afinal de contas, colocou sobre meus ombros a fé e a responsabilidade de que eu, de fato, poderia ajudá-la a ser uma poetisa.
E, dessa contradição de sentimentos, ocorreu-me um belíssimo poema que li há pouco tempo, de autoria de Rosana Sales, uma professora da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro, e que tem por título justamente o desta crônica: “Como num quadro/ Pingo palavras numa folha em branco/ Borbulham gotas espaçadas de um verso em construção/ Ele transborda em mim/ E sai aos poucos/ Dolorido e choroso/ Emotivo e formoso/ Assim é o meu verso/ E assim vou escrevendo/ Sem rumo e rimas/ Emoção num crescente de letras/ Palavras impregnadas de sentidos/ Assim são os meus versos/ Pingados nas linhas tortas/ De uma noite insone/ Chegam devagar, tímidos/ Mas de repente encontram o seu rumo/ Palavras saltam e voam no papel/ Escapam do meu ser/ E assim vai-se um poema/ Ser gauche na vida/ Perfeito para mim”.[1]
Rosana Sales, neste belíssimo poema, nos fornece alguns lampejos sobre o que é ser, realmente, um poeta, uma poetisa, e o faz, inicialmente, mostrando que essa qualidade tão especial de um ser humano é algo que já está dentro dele; é um sentimento tão intenso, que, de modo “dolorido e choroso, emotivo e formoso”, devagar e timidamente acaba por transbordar da alma e pinga, em forma de palavras, numa folha em branco.



Ser poeta/poetisa é, essencialmente, ter olhos e ouvidos de ver e ouvir e, mais do que isso, de sentir o que a maioria dos seres humanos não vê, não ouve e, muito menos, sente. E essa transcendente percepção está além das palavras, que, muitas vezes, a limita, ao ser exteriorizada.
De posse desse raríssimo bem, tem um ser humano, portanto, a essência da poesia. Mas, semelhante a um diamante bruto, pode-se lapidá-la, quando a transformamos em poemas.
E aqui, sim, o estudo acadêmico ou o autodidatismo fornecem o cadinho e o fogo, de onde emergem os mais candentes poemas.
E, nessa trilha literária, além da hipersensibilidade e da imaginação ilimitada, a cultura geral, o domínio do vernáculo e, em especial, o conhecimento das chamadas Figuras de Linguagem [2], são ferramentas imprescindíveis que, uma vez dominadas, mais do que simples versos, permitem que o seu detentor se transforme em Arauto da Beleza, forjando imorredouros Versos de Ouro.

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NOTAS DO AUTOR
[1] Baú de Retalhos. http://retalhossaborososdosaber.blogspot.com.br/search?q=tessitura+de+um+poema . Acesso em: 03/07/2015

[2] Recursos de expressão, utilizados por um escritor, com o objetivo de ampliar o significado de um texto literário ou também para suprir a falta de termos adequados em uma frase. É um recurso que dá uma grande expressividade ao texto literário.